Autor convidado – Pensando fora da caixa: o conceito de gerações

Há alguns dias estava conversando com a minha amigona Juliana Vlastuin, doutoranda em Sociologia na UFPR, sobre as gerações X, Y, Z, Baby Boomers e etc. que estão em evidência. Como ela pesquisa sobre o conceito de gerações no esporte, a convidei para trazer a sua visão sobre as gerações e como a sociologia entende este conceito. Por isso, hoje trago pela primeira vez ao blog um convidado para expor sua perspectiva sobre um tema complexo e muito atual.

Pensando fora da caixa: o conceito de gerações

O que seria da experiência humana se uma geração vivesse para sempre e nenhuma outra a substituísse? A convite da minha roommate camilapc, vou tentar abrir o debate a respeito do tema das Gerações. Muito se tem falado a respeito das chamadas Gerações X, Y e Z, principalmente em seus choques de comportamento no ambiente corporativo. Mas, afinal de contas, é suficiente dizer que eu sou da Geração Y, porque eu nasci em 1982? Digo isso porque venho pesquisando arduamente o problema das gerações em minha pesquisa de doutoramento e percebo que a explicação sobre o tema não é tão simplista assim.

A perspectiva da qual compartilho segue uma ideia simples: considerar apenas o aspecto cronológico das gerações não é o suficiente para explicar a complexidade que envolve as relações sociais.  Meu aprendizado enquanto pesquisadora na área de Sociologia do Esporte confirma essa tese para além do aspecto fundamentalmente temporal do fenômeno. Dentro de uma conotação histórica e sociológica do tema, podemos dizer que uma geração representa pessoas que nasceram mais ou menos na mesma época e que têm em comum certas experiências de vida.

Para além da geração, a categoria sociológica de unidade de geração do sociólogo alemão Karl Mannheim ajuda a entender um pouco mais sobre o que eu quero dizer. Para o autor, cada geração é prescrita por indivíduos com conteúdos comuns de consciência, representações, crenças e engajamentos, que prescrevem uma “unidade” dentro de cada geração (MANNHEIM, 1986).

Essa concepção reforça não apenas a idéia de sucessão de uma geração após a outra, mas o significado de coexistência entre as gerações. Embora o tempo real seja o mesmo para todos, existe um tempo diferente para cada pessoa, que vai ser construída a partir de experiências subjetivas com pessoas de diversas idades.

Assim chego à conclusão de que partilhar o mesmo ano de nascimento com outras pessoas não é o suficiente para dizer que fazemos parte da mesma geração. Quem apontará essa direção será o destino comum que compartilhamos dentro de uma realidade histórica e cultural de experiências.

Como “mensagem” para os leitores de diferentes unidades de gerações do blog, deixo a tentativa de pensarmos além do óbvio no sentido de produzir rupturas com o senso comum, tão enraizado na nossa natureza humana, cheia de limitações. E que possamos enxergar com os óculos do conhecimento, além do que nos interessa!

Para maior aprofundamento sobre o tema, sugiro a leitura dos seguintes textos:

MANNHEIM, Karl. O problema das gerações. In: Sociologia do conhecimento. v. 2, Porto: Rés, 1986, p.114-175.

Revista Espanhola de Investigações Sociológicas. Disponível em: http://bit.ly/dN33yV

WELLER, Wivian. A atualidade do conceito de gerações de Karl Mannheim. In: Revista Sociedade e Estado, v. 25, n. 02, mai/ago. 2010. Disponível em: http://migre.me/3yNiM

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Juliana Vlastuin concluiu a graduação em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2004. Cursou Especialização em Gestão Industrial pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná em 2005. Atualmente é Mestre em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Linha de Pesquisa História e Sociologia do Esporte) e aluna do Doutorado em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (Linha de Pesquisa Cultura e Sociabilidades) da Universidade Federal do Paraná. É pesquisadora do Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade (CEPELS), na linha de pesquisa História e Sociologia do Esporte e do Núcleo de Estudos sobre Ciências Sociais e Sociedade do Paraná, na linha de pesquisa Esporte e Cultura no Paraná. Também é membro da Asociación Latinoamericana de Estudios Socioculturales del Deporte (ALESDE) e da International Sport Sociology Association (ISSA).

Página no Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4771617J5

Twitter: http://www.twitter.com/jvlastuin

 

Comments

  1. Renato Fernando Cornelsen says:

    Sou ignorante em muitos assuntos relacionados à internet e comunicação… mas logo hoje que resolvi entrar no blog tinha um post de uma convidada (e minha amiga tbm) que tem tudo a ver com a área que pretendo me formar e atuar: Direito. Afinal, sociologia tem estreita (e necessária) relação com o Direito e acabamos estudando muito menos do que deveríamos sobre o tema. O que foi exposto no post pela Srta. Vlastuin é extremamente atrativo e vale a pena dar um lida a respeito.
    Sucesso ao blog, a sua “dona” e a essa convidade especial.
    Bjs

    1. Ai que surpresa Re!

      Sem dúvida, a Sociologia tem estreita ligação com tudo o que se relaciona ao ser humano. Do direito à engenharia, acredito que tudo deveria ter um pouco de pensamento sociológico. No campo da comunicação, que é o meu, sem dúvida a sociologia está presente e no seu, deveria estar oficialmente mais inserida. Agradeço de coração seu comentário e você não é ignorante, apenas sabe pouco. Ser ignorante é não saber e, mesmo que o assunto o interesse, deixá-lo de lado. Agradeço em nome da Juh também seu comentário. Um abração!

  2. [...] desta área para nos ajudar a entender o conceito de gerações. O texto dela pode ser lido aqui. Apesar das controvérsias, recebi o link deste vídeo do querido Nelson Laskowsky, proprietário [...]