Com vocês, Catarse! Bate-papo com Diego Reeberg

Um dos últimos posts de 2010 no .com/teúdo foi sobre o Catarse. Para quem não lembra ou não viu o post, o Catarse inaugurou o sistema de Crowdfunding no Brasil. Uma ideia que já dá certo nos EUA, com o KickStarter, por exemplo, está dando os primeiros passos aqui no Brasil.

Crowdfunding é um sistema de fundação coletiva, em outras palavras, algumas pessoas se reúnem e, com um pouco de cada um, forma-se uma empresa ou tira-se um projeto do papel. Com esta ideia em mente o Catarse foi lançado e uma das dúvidas que surgiram em vários textos sobre a plataforma foi: será que vai pegar no Brasil?

Vai pegar?

Afim de tirar esta dúvida, bati um papo com o Diego Borin Reeberg, um dos fundadores do Catarse no Brasil. Segundo o Diego, o Catarse já conta com 153 apoiadores, 189 apoios realizados, R$7.500 arrecadados, 850 usuários cadastrados, 75 mil pageviews e 13 mil visitantes únicos e, tudo isso, em apenas 15 dias no ar.

Ainda segundo Diego, na próxima semana mais um projeto entrará no ar e até o fim do mês de fevereiro 15 projetos novos estarão no Catarse. Se levarmos em consideração o tema e a idade do site, sem dúvida estes são números interessantes. Porém, não podemos esquecer que o Catarse obteve uma significativa visibilidade na mídia especializada recentemente, ou seja, “ainda não caminhou sozinho”.

Entrevista

Aproveitando que perguntei ao Diego os dados sobre o Catarse, fiz algumas perguntas sobre a ideia e como os fundadores pensam em ganhar dinheiro ou pelo menos tornar o Catarse uma ferramenta autossustentável. Confira a “mini” entrevista:

Camila: Vocês estão surpresos com a receptividade do Catarse?

Diego: O site teve até agora 13000 visitantes únicos, a gente acha bastante, principalmente porque isso foi feito tudo organicamente, só com a rede das pessoas interessadas em crowdfunding e as redes dos donos dos projetos.

Camila: Vocês pensam em ganhar dinheiro com o Catarse ou estão focados apenas em ajudar a tirar projetos do papel? Não sei se tenho uma visão muito romântica, mas não parece que vocês querem ganhar dinheiro.

Diego: Boa pergunta. A gente cobra uma taxa de 5% para os projetos bem sucedidos (que conseguem aquele dinheiro que estão pedindo ou mais).  Só que a gente acha que esse valor é muito pequeno, suficiente talvez para que o site seja sustentável.

Camila: Aí entra o volume de projetos?

Diego: Sim. Nós achamos que não podemos cobrar mais porque ficaria inviável para os donos dos projetos. Então, na verdade, se tiver um volume bem grande, até poderíamos ter um faturamento interessante. Mas o ponto é: não vamos deixar qualquer projeto ir para o site só para ter um faturamento grande.

A gente se preocupa mais com a qualidade deles, serem bem produzidos, trazerem uma coisa nova. A ideia é que o Catarse seja uma vitrine de projetos interessantíssimos. Temos um lado bem forte de fomentar o investimento (e o consumo também) de pessoa física em cultura e tal, de um jeito que seja atrativo pra ela, não forçando a barra.

Camila: Qual a perspectiva para o futuro do Catarse e do comportamento das pessoas que participam?

Diego: Talvez mais para frente, as pessoas, mais do que para ajudar o projeto de algum conhecido, entrem no site porque estão a fim de apoiar algo novo e resolvam participar dele. E a questão de todo projeto ter recompensa dá uma aliviada na questão de não estarmos falando de doação, mas de ter uma troca envolvida. Ajuda o apoiador a tangibilizar aquela contribuição que ele fez.

Camila: E quantos projetos já conseguiram financiamento?

Diego: Ah, isso é triste hahaha. Ainda nenhum. Mas, na verdade, não é que isso seja triste, é que como a gente só começou há 15 dias e, o projeto que vai ficar menos tempo ficará 45 dias, só vamos ter informação daqui um mês.

Camila: Não é fácil implantar esta cultura por aqui. Vejo que somos muito “cada um por si”.

Diego: Uhum, mas a gente acha que tem que ir mudando aos poucos, até por isso que não temos a pretensão de ir divulgar loucamente pela mídia agora, tem todo um processo de aprendizado caminhando junto e, lógico, como eu disse, a questão da recompensa ajuda nisso, porque dependendo do que ela for, é quase como uma pré-venda de produtos, ingressos e tal.

Camila: Torço muito para o Catarse dê certo e muito obrigada pela entrevista.

Diego: Muitíssimo obrigado! Confesso que a gente também torce! Hehehe E trabalha pra isso, né? Não só torce.

Este foi o Catarse em números. Se você curtiu a ideia e quiser ajudar a tirar do papel algum projeto, acesse o site do Catarse e contribua.

Até a próxima!

Comentários

  1. [...] dia 01/02/2011, tive o privilégio de conversar com o Diego Reeberg, um dos fundadores do Catarse. Naquele dia, o Catarse havia completado algumas semanas de vida e [...]