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Fãs no Facebook: estamos olhando para o dado errado?

Acabei de ler um excelente texto do Cleyton Torres, no Blog Mídia8. O texto “Redes sociais: quando a melhor estratégia é fazer tudo errado” apresenta a perspectiva deslumbrada de muitas empresas em relação ao número de fãs, compartilhamentos e curtir em “conteúdo com pouco conteúdo”, ou seja, informações postadas em páginas que trazem imagens divertidas, mas nenhuma relação com a marca.

Já abordei este tipo de “estratégia” no texto “O retrocesso e o vazio recompensado nas redes sociais”, onde critico justamente esta postura das empresas de produzir conteúdo porque “dá Like” ao invés de fazê-lo em busca de posicionamento. Desta forma, o meu texto e o do Cleyton convergem ao abordar a falta de preparo e estratégia das empresas nas redes sociais na busca desesperada por engajamento com conteúdo que em nada, ou muito pouco, tem a ver com a imagem, posicionamento ou reputação que ela deseja construir nas redes sociais.

Edgerank e visibilidade

Recentemente várias notícias apontando mudanças no Edgerank trouxeram à tona a queda do alcance das postagens feitas pelas marcas no Facebook. Sites como Socialbakers e Simplyzesty apresentaram gráficos e comprovações de que o Facebook estaria limitando o alcance das postagens feitas pelas fan pages com o intuito de incentivar o uso dos Posts Patrocinados e, consequentemente, gastar mais com anúncios.

Desta forma, é imperativo às marcas produzirem e divulgarem conteúdo atrativo no Facebook. Sem isso, certamente as empresas terão cada vez mais dificuldade em atrair a atenção dos seus fãs. O problema é que muitas empresas e profissionais confundem conteúdo relevante com conteúdo que gera interação.

Conteúdo sem conteúdo

Hoje é visível a busca desenfreada por fãs no Facebook. Realizar promoções de “curte e compartilha”, postar fotos de animais ou comprar fãs. Profissionais e clientes parecem não se importar com tudo o que diz respeito às boas práticas nas redes sociais, querem apenas uma boa base de fãs para se sentirem bem diante à concorrência. Como coloca muito bem o Cleyton “Pare de pensar como o digital revolucionou a relação empresa e cliente e foque em números. Números grandes e coloridos. Números que, na prática, não servem para muita coisa, mas enchem os olhos do cliente”.

Número de fãs nos mostra o que?

Em uma apresentação em Recife, trouxe este questionamento. O que o número de fãs de uma página realmente significa? Hoje temos um problema crônico de valorizar este número ao invés do que, em minha opinião, realmente importa em uma página: Pessoas Falando Sobre Isso e Alcance. Para mim, quando falamos de comunicação em mídias sociais e todo o contexto que envolve a disseminação de conteúdo por estes canais, é aí que as empresas precisam focar seus esforços. Pessoas falando (bem) sobre a marca e alcançar o máximo de pessoas possível.

É óbvio que quanto maior sua base de fãs (teoricamente), são maiores as suas chances de impactar mais pessoas. Porém não devemos esquecer que temos o Edgerank e o próprio Facebook “jogando contra” as fan pages, no que diz respeito à limitação imposta ao conteúdo, como citei acima.

Esta excessiva valorização do número de fãs de uma página acontece justamente por àqueles que não entendem ou desconhecem as entrelinhas em trabalhar no Facebook ou comunicação. É importante entendermos que ter uma grande base de fãs, pode nos ajudar em várias aspectos (reputação, por exemplo). No entanto, utilizar o “conteúdo sem conteúdo” para conseguir mais engajamento não é a solução dos problemas.

Conteúdo que “dá Like”

Compartilhar conteúdo vazio só porque “dá like” é contemplar em parte a importância do Facebook para sua marca. Sim, você terá sua marca citada, suas mensagens compartilhadas. Este é um lado da moeda. O outro lado da moeda e que é desconhecido por muitos é: o que este conteúdo agrega à sua marca? O que este conteúdo traduz sobre o seu produto? O que este conteúdo divulgado no Facebook da sua empresa pode trazer de resultados? O que este conteúdo colaborará para você ter retorno com o Facebook?

Friso sempre isso em meus cursos: conteúdo divertido sem dúvida engaja e “dá curtir”. Porém, preocupe-se com a imagem que sua empresa está construindo. Fazer só isso acaba fragilizando sua marca e pode ser um problema no futuro. Quando esta onda passar (espero que logo), será que aquela girafinha ou bebezinho que adora sexta-feira na sua página não vão queimar seu filme?

Concluindo, a ideia que gostaria de passar é a de que engajamento é extremamente importante para sua empresa no Facebook. Porém, não se esqueça que o que é compartilhado pelas pessoas acaba falando muito sobre a postura da sua empresa. Ainda estamos em um processo de amadurecimento nas mídias sociais e, em especial no Facebook. Há muito deslumbre e pouco planejamento e estratégia. Mas, acredito que isso mude e mude logo.

Sempre teremos quem ache que “vale tudo pelo engajamento”. Você pode pensar assim, sem problemas. Eu acho que as coisas não são tão simples assim. Então, está aberto o debate. Deixe sua opinião nos comentários sobre se vale ou não tudo pelo engajamento. 

Comentários

  1. [...] sobre a qualidade do conteúdo veiculado por empresas de todos os portes no Facebook. Nos textos “Fãs no Facebook: estamos olhando para o dado errado?” e “O retrocesso e o vazio recompensado nas redes sociais” abordei a falta de preocupação e [...]

  2. [...] sobre a qualidade do conteúdo veiculado por empresas de todos os portes no Facebook. Nos textos “Fãs no Facebook: estamos olhando para o dado errado?” e “O retrocesso e o vazio recompensado nas redes sociais” abordei a falta de preocupação e [...]

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  8. [...] inconveniente. Se isso pegar, certamente o foco das estratégias das empresas pode mudar. Além de buscar mais fãs, fazê-los se tornarem “assinantes das notificações” pode ser mais uma tarefa dos [...]

  9. Anônimo disse:

    Entrei para trabalhar em uma empresa e cuidar da presença digital da marca, durante o primeiro mês fiz um estudo sobre os valores da marca e qual o posicionamento desejado. Logo de cara cortei as imagens de bebês e girafas que tinham muito engajamento e coloquei imagens também divertidas mas com relação a marca.

    Obviamente no começo, alcance, falando sobre e engajamento diminuíram. Neste momento veio uma cobrança enorme pelo fato de que aqueles posts davam like e a base de fãs já estava acostumada.

    O que quero dizer é, existem muitas pessoas que acreditam cegamente que estes posts são os melhores para as marcas e não estão afim de mudar. Infelizmente.

    1. Por isso escrevi este texto. É nosso trabalho mudar essa visão superficial e colocar um pouco mais de estratégia e posicionamento nas empresas. 

  10. Marina Lima disse:

    O problema é justamente a falta de conhecimento, o cliente não quer ouvir uma explicação chata sobre como funciona verdadeiramente o engajamento no facebook, posicionamento de marca, etc, quer saber de números apenas. Claro que é fantástico ter posts com vários likes e compartilhamentos, mas como foi colocado no texto, e a qualidade desses posts, como fica? Deve-se pensar até mesmo na qualidade dos fãs da marca, por exemplo, se tenho uma página de uma empresa que vende produtos geeks com 10.000 fãs, isso é bem bacana, mas e se 3 ou 4 mil deles não compram ou não comprariam meus produtos, se eles me curtem apenas pelas “piadas legais” que posto na página, o número de fãs que possuo não é tão relevante assim. 
    Acho que isso se resolverá com o amadurecimento do mercado, ou seja, marcas e consumidores.

  11. [...] que podem ser impactadas. Porém, não se esqueça em focar na qualidade dos seus fãs. O post “Fãs no Facebook: estamos olhando para o dado errado?” pode ajudar a prestar a atenção também na qualidade dos [...]

  12. [...] de fãs, em minha opinião, é uma métrica importante, mas que, sozinha, não é sustentável. Não é sustentável porque você precisa ter pessoas engajadas com seu conteúdo para continuar vivo no [...]